Programa Mais Médicos chega a Cruz das Almas

COM A VINDA DE MÉDICOS CUBANOS, O RECÔNCAVO BAIANO ESPERA MINORAR OS GRAVES PROBLEMAS NA ÁREA DA SAÚDE PÚBLICA.

Elaine da Silva Conceição

Na primeira semana do mês de janeiro de 2014, chegou ao município de Cruz das Almas o médico cubano Willian Beraldo Carballo Taboada que foi recebido pelo atual prefeito Jean Cavalcante Silva e pelo secretário de saúde André Eloy. O médico atenderá na comunidade do Tuá, zona rural do município e, como foi indicado pelo Ministério da Saúde, residirá a 50 metros da unidade de atendimento.

Segundo o secretário de saúde André Eloy, Cruz das Almas sempre teve suas unidades de saúde ocupadas por médicos. Ainda assim o município foi escolhido pelo Ministério da Saúde para receber o médico cubano. Isso se deu por causa da existência de uma comunidade Quilombola em sua região, a qual já estava assistida por médico e como o próprio programa não prevê a demissão do médico brasileiro em detrimento à chegada do profissional cubano, foi criada uma unidade na zona rural de Tuá, para onde ele foi redimensionado.

A Secretaria de Saúde alugou uma residência para o profissional a 50 metros da unidade de atendimento com a proposta de aproximá-lo da comunidade. “Como essa é uma missão que denominamos humanitária, vemos que ele a cumpre muito bem  e nós estamos fazendo de tudo para mantê-lo bem instalado”, explicou o secretário.

Juntamente com a Prefeitura Municipal, a Secretaria de Saúde do município de Cruz das Almas, já conseguiu um segundo profissional do Programa Mais Médicos, que é brasileiro e fazia parte do programa de valorização da atenção básica (Provab). Por não ter sido aprovado em residência médica, houve a opção de migrá-lo para o programa Mais Médicos.

“Estamos muito satisfeitos com o trabalho do médico Willian. Ele é um grande profissional”, disse o secretário.

Já o médico cubano, nos três meses que está em Cruz das Almas, disse não ter enfrentado muitas dificuldades, que não encontrou problema com a comunidade e que os moradores estão muito felizes com a sua chegada. Ele disse que está sendo difícil viver longe da sua família e amigos, e, mesmo o Brasil e Cuba tendo coisas parecidas, como a descendência africana, sua família também está enfrentando essa situação com dificuldade.

O Programa Mais Médicos tem contrato de três anos que pode ser prolongado de acordo com as necessidades. Para o médico cubano é bom para seu aprendizado e para seu currículo estar trabalhando no Brasil e, mesmo com as más condições de trabalho, ele confessou gostar de atender aos mais necessitados, pois considera ser esta a sua missão.

Willian disse ainda que, nesses três anos que terá pela frente, pretende continuar conhecendo o povo brasileiro, as características da saúde em sua área, a cidade, pessoas novas e o principal, ele pretende ter saúde para continuar trabalhando e ajudando a todas as pessoas que precisam dele e da sua equipe de saúde.

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Busca pelo natural leva mulheres ao processo de transição capilar

LIDAR COM O PRECONCEITO RESULTANTE DOS PADRÕES ESTÉTICOS É O PRINCIPAL DESAFIO NO CAMINHO PARA A AUTO ACEITAÇÃO.

Anna Caroline

O desejo pela recuperação do cabelo natural tem levado cada vez mais mulheres ao processo denominado transição capilar, que consiste na interrupção do uso de químicas que alteram a estrutura original dos cabelos e que na maioria dos casos, removem sua característica mais marcante: os cachos. É cada vez mais comum encontrar mulheres que decidiram erradicar as químicas e tratamentos que agridem os fios, assim como os procedimentos de modelagem, como a escova e a chapinha.

O uso de químicas nos cabelos, assim como a maquiagem e a moda, faz parte do cotidiano de muitas mulheres, que incorporam aos seus hábitos e até mesmo à sua identidade, o ritual – muitas vezes mensal – de ir ao salão para “retocar a raiz”, ou seja, aplicar o produto na raiz dos fios para manter o aspecto liso.

Por conta disso, o processo de transição capilar passa a ser muito mais do que um desejo de recuperar o cabelo natural para tornar-se um verdadeiro desafio para quem faz uso constante de alisamentos. De acordo com a estudante Camila Castro, 15, além dos problemas com a autoestima, é difícil lidar com as opiniões alheias, “As pessoas adoram fazer comentários sem noção e preconceituosos”, diz.

Desafios do processo

Assim como a maioria dos processos relativos à aparência, à estética e à beleza, o processo de transição capilar também se mostra determinante na autoestima daquelas que se submetem a ela. Dentre os principais desafios que envolvem a aceitação do cabelo natural, está à dificuldade em manter as duas texturas. “Eu alisava meu cabelo desde os nove anos, não sei como é realmente o meu fio e como tratar. Ter duas texturas dificulta isso”, diz a estudante Ana Paula Borges, 17.

Com parte do cabelo alisado e a raiz crescendo ao natural, algumas mulheres recorrem ao Big Chop, o chamado grande corte, no qual se retira todo o cabelo com química, deixando apenas a parcela já crescida ao natural. Já outras preferem enfrentar a transição utilizando a técnica conhecida como Texturização, que muda o padrão de ondulação dos fios e ajuda a disfarçar a diferença entre o cabelo quimicamente tratado e o natural, podendo ser feita com o uso de tranças, bobes etc.

Enfrentar as críticas e opiniões alheias também pode se tornar um grande problema para quem está passando pela transição, e até mesmo para quem já conseguiu voltar ao natural. Para Morganna Bezerra, 19, a falta de apoio da família é um fator que dificulta significativamente o processo de transição. “Tenho sorte de meu namorado me apoiar e estar mais ansioso do que eu pra ver meu cabelo todo natural. Minha sogra também acha que eu já deveria ter me libertado da química faz tempo. Mas o resto da família acha que vou sofrer e que não tem como cuidar de cabelo ‘ruim’. Acham que vou ter trabalho e que vou sofrer preconceito. Isso me deixa muito triste”.

Vantagens

 Apesar de tantas dificuldades, quem já passou pela transição e hoje tem os cabelos naturais garante que o cabelo sem química tem muitas vantagens. “O cabelo sem química é muito mais prático e cuidar dele é bem mais barato. Cabelos quimicamente tratados são mais frágeis, precisam de cuidado especial e produtos mais caros”, diz Ana Paula. Para a estudante, os cabelos naturais são diferentes e cheios de personalidade. “Sempre os achei lindos, só não achava que ficava bom em mim.”

Praticidade, aceitação, expressão e danos causados pelas químicas estão entre as principais razões pelas quais tantas mulheres têm optado por voltar a ter os cabelos naturais. “Com cerca de doze anos passei alguns meses em transição, mas desisti, e agora retomei o processo por uma questão ideológica”, diz Camila Castro. Segundo ela, a decisão de passar pela transição veio depois de perceber que não é preciso ter o cabelo liso para ser bonita. Para Morganna Bezerra, a motivação para voltar aos cachos veio com a quebra do cabelo: “Era desesperador olhar minhas fotos de antigamente e ver todo aquele volume e brilho, e depois me olhar no espelho e ver um cabelo maltratado”.

Para muitas mulheres que optaram pela interrupção das químicas, tanto a decisão quanto o resultado dessa opção ainda provocam uma aversão da sociedade. Relatos de comentários preconceituosos e racistas são comuns, e ocorrem em maior proporção quando a mulher, além de cacheada, é negra. Para Ana Paula Borges, a pressão social, às vezes sutil, manipula as pessoas a alisarem seus cabelos: “A sociedade não espera isso. Toda a pressão é pra que neguemos nossos cabelos com raízes negras e desde sempre nos ensinam que eles não são arrumados e bonitos o suficiente.”

Esse desejo de recuperar as características naturais dos cabelos tem reunido cada vez mais mulheres dispostas a aprender os cuidados que devem ser tomados com seus fios. A Blogosfera brasileira está repleta de diários virtuais direcionados a esse público e vem ganhando destaque com nomes como Rayza Nicácio, que ficou famosa por defender e assumir seu cabelo cacheado, tornando-se a blogueira cacheada mais famosa do país.

Nas redes sociais, essa procura crescente pode ser observada em centenas de páginas dedicadas exclusivamente aos cabelos cacheados e crespos, além de vários grupos que reúnem dicas de produtos, experiências e histórias de milhares de mulheres que passaram ou estão passando pelo processo de transição.

Alguns desses grupos chegam a reunir mais de 20 mil membros na busca por experiências reais de pessoas dispostas a relatar seus cuidados com os cabelos, e fazem questão de compartilhar suas experiências para motivar e inspirar aquelas que estão começando.

Um toque, um drible

SECRETARIA DA SAÚDE DE CONCEIÇÃO DO ALMEIDA PROMOVE INICIATIVAS PARA A PREVENÇÃO DE DOENÇAS MASCULINAS. 

Israel Santos

Como é do conhecimento de muitos, a maioria dos homens tem grande resistência para ir ao médico e cuidar da saúde. Por este e outros motivos foi criado o Novembro Azul, uma campanha da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) que propõe ações em locais públicos visando a conscientização da população masculina. A Secretaria de Saúde de Conceição do Almeida realizou nos dias 18 a 22 de novembro a Semana do Homem, proporcionando palestras e realização de exames.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é mais incidente que o de mama, conforme estimativa de 2012-2013, que apontou 60.180 novos casos no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha para a SBU, em 2009, constatou que o preconceito com o exame de toque retal ainda é forte no Brasil. Apenas 32% dos homens brasileiros declararam ter feito o exame, de forma que muitos diagnósticos só são dados em estágios avançados, quando já não é mais possível o tratamento. Se forem descobertos no inicio, 90% dos casos são curáveis. Embora o toque retal seja um exame considerado desagradável, ele é simples, rápido e indolor. O pequeno desconforto causado pelo exame não se compara aos benefícios deste simples e eficiente método de diagnóstico.

Resistência ao exame

Muitos homens têm resistência a ir ao hospital, por medo e por querer passar a imagem do “homem da casa”, sempre forte e saudável. E, para não ir ao médico, muitos deles inventam desculpas, diz a coordenadora da Central de Regulação de Conceição do Almeida, Érica Cerqueira. Ao ouvir essas desculpas, ela os questiona sobre em que ordem de importância está a saúde. “Sem saúde não tem como trabalhar”, diz ela, lembrando que a saúde masculina exige uma atenção especial não só na questão do exame de próstata, mas como um todo, uma vez que o índice de infartos entre homens no município vem aumentando significativamente.

Thiane Froes, enfermeira do Posto de Saúde da Família, diz que a Semana do Homem surtiu efeitos significativos. Segundo ela, muitos homens que ainda não haviam ido ao posto fizeram sua primeira consulta devido à campanha. Porém, ela conta que o número ainda é muito baixo.

São feitos três tipos de exames para identificar a presença do câncer de próstata: o exame de sangue, a ultrassonografia abdominal e o exame transretal. Os dois primeiros são feitos na própria cidade. O transretal é o mais específico e, quando encaminhado por um médico local, é feito na cidade de Santo Antônio de Jesus. Resultados alterados no exame de sangue e no exame do toque retal são relativamente comuns, mas podem gerar muita angústia. Eles podem não ser suficientes para estabelecer o diagnóstico do câncer de próstata, logo, para confirmá-lo é preciso dar continuidade aos exames e recomenda-se uma avaliação médica detalhada e criteriosa. A prática de esportes e exercícios físicos é recomendada para a prevenção da doença.