Vida e sustentabilidade nos manguezais

PROJETOS ALIAM CULTURA, EDUCAÇÃO E MELHORIAS PARA O MEIO AMBIENTE NO MUNICÍPIO DE MARAGOGIPE

Tarcila Santana

Desde quando foi criada, a Fundação Vovó do Mangue, sediada no município de Maragogipe, realiza projetos em prol da comunidade e do meio ambiente como um todo. Há 16 anos desenvolve atividades para a preservação não só das áreas de manguezal da região, como também da cultura local. A ONG mantém seus projetos por meio de parcerias e financiamentos obtidos através de concursos, tendo a Petrobras como principal colaboradora.

Sede administrativa da Fundação Vovó do Mangue

Sede administrativa da Fundação Vovó do Mangue (Foto: Tarcila Santana)

Atualmente são vários os projetos em andamento e a maioria deles ocorre desde 2000. O mais novo projeto ambiental da fundação é o CO2 Manguezal, que está sendo gerido desde setembro de 2013. Ele foi um dos três projetos aprovados na Bahia pela seleção do Programa Petrobras Ambiental (PPA). Seu objetivo é restaurar as áreas de manguezal na Baía de Todos os Santos, abrangendo os municípios de Maragogipe e São Francisco do Conde, através do reflorestamento do mangue e educação da população. Em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) de Cruz das Almas, disponibilizará aos alunos a possibilidade de atuarem em programa de estágios e contrato de dois anos para a realização de pesquisas e análises ambientais. Conta também com a ação conjunta do projeto Conexão, da ONG Rede Cidadã de Maragogipe, cuja função será capacitar as marisqueiras da região no manuseio de alimentos.

Sede com cara nova

Em visita ao bairro da Comissão, foi possível conhecer toda a estrutura reformada para abrigar o CO2 Manguezal.  O espaço conta com salas de leitura e informática, salas administrativas, estufa para as mudas de reflorestamento dos manguezais e encanamento com reaproveitamento da água da chuva.

Foto Internet - Facebook da Fundação

(Foto: Internet/Facebook da Fundação)

Em entrevista com o diretor geral da fundação, Marcos Costa, foram revelados não só os aspectos positivos, mas também a dificuldade por qual a ONG passa em alguns momentos. “O ano de 2012 foi bem difícil. Um período sem convênio nenhum, sem suporte, sem funcionários na sede para prestar algum auxílio à população”, declarou. Ainda segundo ele, 2013 foi um ano de reestruturação. Quando perguntado sobre como enxerga o impacto dos projetos ambientais, ele afirmou que “na comunidade passou-se a ter a visão de que o manguezal não é algo pejorativo, mas sim uma fonte de alimento, riqueza e vida”.

Outras Parcerias

A Fundação Vovó do Mangue ainda possui como parceiros a Associação de Pescadores e Marisqueiros da Comissão e Baixinhos. E, como também desenvolve projetos de ação social e fomento à cultura, ela apoia alguns grupos culturais, cedendo seu espaço para oficinas de esportes, dança e música, em parceria com a Associação dos Sambadores e Sambadeiras de Maragogipe (ASSAMBA) e do Grupo de capoeira Raça.

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Crescimento populacional acarreta poluição do Rio Paraguaçu

CIDADES DO RECÔNCAVO BAIANO RECEBEM APOIO DE PROJETOS PARA PRESERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO AMBIENTAL.

Laerte Santana

Dono de belas paisagens e divisor das cidades de Cachoeira e São Félix, o Rio Paraguaçu é um dos principais cartões-postais do Recôncavo baiano. Rico em história e o maior rio situado exclusivamente na Bahia, seu curso d’água passa por diversas localidades. Entre as cidades vizinhas na sua extensão baixa, já foi uma grande fonte de sustentabilidade, mas a falta de conscientização no trato com ele pela população vem intensificando a sua degradação ao longo dos últimos anos.ponte_sf

A moradora da cidade de Cachoeira, Arlete Damasceno, 36, conta que em sua infância, antes do crescimento populacional mais intensivo verificado recentemente, o Rio Paraguaçu era fonte de rentabilidade dos pescadores e famílias que desfrutavam da fartura nele encontrada. “Peixes como robalo, pititinga, bagre e outros faziam parte da comercialização local”, recorda-se.

DSCN0429 A água poluída é proveniente da própria ação  humana. Lixos domiciliares como garrafa pet, copos  descartáveis, vasilhames de vidro, rede de esgotos e  outros são os principais fatores de poluição. O alerta  para preservação do Rio Paraguaçu fica explícito  desde suas margens: o acúmulo de resíduos e  baronesas, que são plantas indicadoras de poluição,  demonstram a necessidade do seu tratamento.

“A maioria dos moradores tem consciência de que o rio é poluído”, explica a funcionária do bar e restaurante Baiana, em Cachoeira, Edna Oliveira. Por trabalhar no estabelecimento situado à beira do rio, ela relata que é comum ver pessoas jogando lixo por ali. Além disso, também há o descarte de resíduos pelas ruas, que contribui para o acúmulo de dejetos, varridos pela água e arrastados para o rio em época de chuva. No início do ano passado foi feita uma revitalização pela prefeitura de cachoeira e toneladas de lixos foram retiradas das margens do Paraguaçu a fim de melhorar sua circulação e facilitar a visita de turistas, afirma Edna.

Apesar da limpeza realizada, o rio, afetado por agentes químicos, físicos e biológicos, merece um tratamento de qualidade, além de ações de caráter educativo para a população e campanhas que orientem a comunidade ribeirinha para sua conservação.

Projetos de recuperação

“As águas correm para o Paraguaçu”. Esta é a temática do projeto criado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu (CBHP) e pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA). Os órgãos institucionais são responsáveis pela criação do processo de construção coletiva do plano de recursos hídricos e da proposta de enquadramento da bacia hidrográfica do Rio Paraguaçu. O projeto teve início em dezembro de 2013 e vai até fevereiro de 2014, sendo realizado em diversas cidades ribeirinhas.

O objetivo geral é contribuir para a gestão dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Os projetos integram ações diversificadas em torno do uso racional da água, da proteção da biodiversidade e da gestão compartilhada do uso múltiplo e integrado, em benefício das presentes e futuras gerações.

Além dos projetos de recursos hídricos, o governo do estado em parceria com a Petrobras e a ONG Conservação Internacional, criou o programa “Semeando Águas do Paraguaçu”, projeto que tem uma previsão de dois anos, com um investimento de R$ 3 milhões. Durante o programa serão avaliados 89 municípios, diagnosticando o uso do solo, a proteção aos ecossistemas naturais e como isso afeta na produção da água ao longo da bacia do Paraguaçu. O Projeto propõe que medidas eficazes sejam feitas para preservação e restauração de suas nascentes.