As mazelas do Acupe

DISTRITO DE SANTO AMARO, ACUPE ENFRENTA SÉRIOS PROBLEMAS DE INFRAESTRUTURA URBANA E SANEAMENTO BÁSICO.

Danilo Valverde

Banhado pela Baía de Todos-os-Santos, Acupe é um distrito de Santo Amaro que tem como principal atividade a pesca e a mariscagem. O distrito é cercado pelo manguezal, ecossistema que garante o trabalho das famílias que ali residem. Atualmente, com a população estimada em oito mil habitantes, Acupe enfrenta problemas de infraestrutura urbana e saneamento básico.

Fundado por negros alforriados ainda no século 19, Acupe tornou-se distrito em 1953. Desde então, a prática da pesca artesanal e a mariscagem tem sido as principais fontes de renda dos moradores. Praticamente tudo é retirado da Baía de Todos-os-Santos e do ecossistema predominante da região, o manguezal. Mas a riqueza da biodiversidade do local entra em contraste com a precariedade das ruas da comunidade. O crescimento urbano não foi acompanhado de obras de infraestrutura e saneamento básico, trazendo transtornos para quem vive na localidade.

Para a moradora Noêmia de Aquino Lopes, 44, existe descaso por parte das autoridades locais. Ela conta que apesar do pagamento do IPTU à prefeitura, não há investimentos no local. “Toda riqueza aqui de Acupe vai para Santo Amaro e não vemos retorno nenhum dos impostos que pagamos”, acrescenta. Com calçamento apenas nas ruas principais, o distrito não possui rede de esgoto, e por isso parte dos detritos domésticos são eliminados nas ruas, enquanto a outra parte é armazenada em sistemas de fossas. O problema se agrava em dias de chuva. Como não há sistema de captação das águas pluviais, vários pontos ficam alagados. A mistura de lama e esgoto aumenta o risco de doença da população.

A ameaça de contaminação do manguezal é outro problema sério. Sem a rede de esgoto, todos os detritos jogados nas ruas vão parar no mangue. Segundo a marisqueira Ângela Maria dos Reis, 34, a poluição das áreas de pesca e mariscagem já é percebida, assim como as transformações que isso tem provocado. “Hoje nós encontramos mais dificuldade para encontrar os mariscos. Tem muita sujeira no mangue e isso acabando com a nossa riqueza”, afirma.

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